I organize and curate pop-up art exhibitions, typically showcasing up and coming artists based in New York.

Guestbook

Pelas Frestas

Gisela Projects
Pelas Frestas: Ana Vitória Mussi, Márcia Xavier e Maria Laet “There is a crack in everything, that's how the light gets in” Leonard Cohen Pelas Frestas: Ana Vitória Mussi, Márcia Xavier e Maria Laet foca em três artistas de gerações diferentes que apresentam afinidades estéticas e poéticas, ao utilizar resíduos e memória como trama condutora de suas obras. A exposição tem curadoria de Claudia Calirman e Gisela Gueiros, historiadoras da arte baseadas em Nova York, em parceria com as galerias Lume, Marilia Razuk e Casa Triângulo. Na obra de Ana Vitória Mussi (1943), negativos fotográficos formam o trabalho em si. Entre 1979 e 1989, Ana Vitória trabalhou como repórter fotográfica cobrindo a noite carioca. Em Série Negativo, Pelas Frestas (1972/2012); À Tua Imagem I (1978/2004) e Índice #2 (1978), as imagens dos negativos são suprimidas, ao invés de serem reveladas. O que se vê são apenas os porta-negativos; os envelopes e o papel celofane que os protegiam. Há um desdobramento tanto do passado da artista, quanto da datada cena social do Rio de Janeiro, abandonando o que já não importa, para desvendar e criar um novo presente. Os negativos não se referem mais a nada, mas apenas a si mesmos. Os envelopes e suas respectivas numerações deixam de catalogar aquilo que não existe mais, para simplesmente envolver o vazio. Se no trabalho de Mussi os porta-negativos e seus negativos deixaram de se corresponder, no fotograma Véu 3 (2007) de Márcia Xavier (1967), o véu de noiva também aparece desconectado do corpo que o vestiu. O mesmo se dá em Bolômetro (2009), onde uma foto aérea da cidade de São Paulo – tirada pelo pai da artista que era piloto – é parcialmente obliterada com recortes, em forma de um gabarito/bolômetro. Os recortes sugerem algo a ser completado, um espaço a preencher – a arte que se modifica através da percepção do espectador e a cidade que se altera com a presença de seus habitantes. A vista aérea revela elementos urbanos que são invisíveis para quem navega a cidade como pedestre. De novo, um distanciamento – apenas uma marca, um vestígio. Na obra de Maria Laet (1982), as imagens vão se diluindo, se distanciando de sua forma inicial. Tanto em Dobra (2015/2018), monotipia sobre papel de algodão e papel japonês; quanto em Sopro (2013), gravura em metal sobre papel de algodão; e em Sem Título (Gaze) (2013), monotipia em papel de algodão, há um atravessamento de luz sobre o material permeável e poroso, criando uma imagem que aos poucos vai se desdobrando e evanescendo. Os gestos de dobrar ou soprar registram a costura de uma experiência vivida, revelando a passagem do tempo e sugerindo a fragilidade da memória. Nessas transferências entre camadas de papel, nas dobras e nos sopros, a presença humana – da mão que desdobra o papel ou do fôlego que se faz escasso – são como um carimbo da vulnerabilidade da presença humana. Em todas as obras há uma reflexão sobre a impossibilidade de uma preservação eterna, o desejo de registrar esquecimentos e a tênue captura do que já está se apagando. O que resta é a certeza de que aquilo que foi não pode mais ser. Vestígios de arquivo, ou arquivos de vestígios. 
 Claudia Calirman é professora associada de história da arte no John Jay College of Criminal Justice, Nova York. Ela é autora de Arte Brasileira sob a Ditadura Militar: Antonio Manuel, Artur Barrio e Cildo Meireles (Duke University Press, 2012/Réptil Editora, 2014). Gisela Gueiros é historiadora da arte, consultora de arte e educadora baseada em Nova York desde 2007. Ela trabalhou no Museu Guggenheim e já organizou mais de 30 exposições entre Nova York e São Paulo. == Through the Cracks: Ana Vitória Mussi, Márcia Xavier and Maria Laet “There is a crack in everything, that's how the light gets in” Leonard Cohen Through the Cracks: Ana Vitória Mussi, Márcia Xavier and Maria Laet focuses on three artists from different generations who share aesthetic and poetic affinities, using residues and memory as the guiding threads of their works. The exhibition is curated by Claudia Calirman and Gisela Gueiros, art historians based in New York, in partnership with galleries Lume, Marilia Razuk, and Casa Triângulo. Ana Vitória Mussi’s (1943) pieces consist of undeveloped photographic negatives. Between 1979 and 1989, Mussi worked as a photojournalist covering Rio de Janeiro's nightlife. In Série Negativo, Pelas Frestas (Negative series, Through the Cracks, 1972/2012); À Tua Imagem I (In Your Image I, 1978/2004) and Indice #2 (Index #2, 1978), images are suppressed rather than revealed. What is left are just negative holders; envelopes and cellophane papers that once protected the photographic negatives. Through this process, both the artist's past and the dated social life scene of Rio de Janeiro unfold, as Mussi leaves behind what no longer matters, to unveil and create a new present. The negatives stop referring to anything but only to themselves. The envelopes and their respective numbers stop cataloging what ceased existing, to simply envelop the void. If in Mussi's work the negative holders and negatives themselves no longer correspond to each other, in Véu 3 (Veil 3, 2007) by Márcia Xavier (1967), the bridal veil also appears disconnected from the body that once wore it. The same happens in Bolometro (Bolometer, 2009), where an aerial photo of the city of São Paulo – taken by the artist's father who was a pilot – is partially obliterated with clippings, in the form of architectural templates/bolometers. The clippings suggest something yet to be completed, a space to be filled –the artwork changes through the spectator's perception as the city mutates with the presence of its inhabitants. The aerial view reveals urban elements that are invisible to those who navigate the city as pedestrians. Again, a detachment – ​​just a mark, a vestige is left. In Maria Laet's (1982) work, the images are diluted, distancing themselves from their initial form. In Dobra (Fold, 2015/2018), monotype on cotton paper and Japanese paper; Sopro (Breath, 2013), metal engraving on cotton paper; and Sem Título (Gaze) (Untitled [Gaze], 2013), a monotype on cotton paper; there is a passage of light through the permeable and porous materials, creating an image that gradually unfolds and fades away. The gestures of bending or blowing record a lived experience, revealing the passage of time and suggesting the fragility of memory. In the folds, blows, and the passages in-between layers of paper, the human presence – the hand that unfolds the paper and the breath that becomes scarce are like a stamp of the vulnerability of the human presence. In all the works in the exhibition there is a reflection on the impossibility to preserve something ad infinitum, a desire to record forgetfulness, and the tenuous capture of what has been already erased. What remains is the certainty that something that was can no longer be and no longer is. Archive traces, or traces of archives. Claudia Calirman is an associate professor of art history at John Jay College of Criminal Justice, New York. She is the author of Brazilian Art under Dictatorship: Antonio Manuel, Artur Barrio and Cildo Meireles (Duke University Press, 2012/Réptil Editora, 2014). Gisela Gueiros is an art historian, art consultant, and educator based in New York since 2007. She has worked at the Guggenheim Museum and has organized over 30 exhibitions between New York and São Paulo.
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